Trinta anos de batalhas, ginásios, gritos de Pikachu e Pokébolas voando — e ainda assim, nenhum treinador fala uma palavra.
Pois é. Em pleno 2025, com cutscenes cinematográficas e um orçamento que deixaria muito estúdio indie corado, a série Pokémon continua 100% muda. E os fãs, dessa vez, perderam a paciência.
O novo Pokémon Legends: ZA, lançado recentemente para o Switch, reacendeu uma velha discussão: por que ainda não existe dublagem em Pokémon?
Cutscenes dignas de um Oscar mudo
ZA impressiona logo de cara. As animações estão mais bonitas, as mega evoluções são um show à parte (Greninja girando shuriken como se fosse desfile de moda ninja) e até as pernas do mega Starmie chamam atenção — por motivos… estranhamente cômicos.
A Game Freak realmente caprichou nas cenas, no enquadramento e na emoção dos personagens.
Mas aí o problema aparece: eles abrem a boca. E nada sai.
Com tanta cena dramática e direção de câmera cheia de intenção, o silêncio virou um incômodo quase cômico. No Reddit e no X (antigo Twitter), os fãs estão se perguntando: pra quê animar as bocas se ninguém vai falar?
“Não é 2006, gente”
A crítica é unânime: funcionava nos tempos do DS. Mas em 2025, com jogos cada vez mais cinematográficos, a falta de dublagem soa como algo inacabado.
Teve até um momento em Sword and Shield que virou meme: um personagem sobe no palco para cantar… e o jogo corta pra um show mudo.
Enquanto isso, até franquias menores como Digimon já colocaram vozes em seus personagens — e de forma elogiada.
A desculpa oficial (ou quase)
Os fãs entendem que a Game Freak é um estúdio relativamente pequeno — poucas centenas de pessoas, para uma marca que movimenta bilhões. A empresa vive num limbo curioso: trabalha como um estúdio indie, mas carrega o peso da franquia mais lucrativa do mundo.
Então, quando alguém pergunta “por que Pokémon ainda não tem dublagem?”, a resposta está sempre entre o “não temos tempo” e o “não queremos arriscar”.
E, claro, existe o medo da rejeição.
Afinal, quem ousa dar voz ao Professor Oak, à Enfermeira Joy ou ao seu rival Blue sem causar uma guerra entre os fãs?
Sem falar no protagonista — afinal, ele deveria falar? Ou o silêncio é parte da magia?
O argumento que mais pegou
Alguns professores entraram na discussão e levantaram um ponto interessante: dublagem ajudaria as crianças a aprenderem a ler melhor.
Ou seja, não é só luxo ou nostalgia — é uma questão de acessibilidade e aprendizado.
Mas, por outro lado, há quem diga que qualquer tentativa de colocar voz em Pokémon corre o risco de arruinar décadas de imaginação coletiva.
E agora?
No meio do debate, surgiram rumores: vazamentos indicam que a Game Freak teria finalmente aprovado dublagem para o próximo jogo da linha Legends.
Se for verdade, o silêncio dos monstrinhos pode finalmente acabar — e os fãs terão o que pedem há anos.
Até lá, Pokémon segue sendo o império que é, com ou sem vozes.
Afinal, quando se tem uma marca bilionária, talvez o som mais importante ainda seja o ca-ching!