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Depois de Warcraft, processos e algumas tentativas que morreram no caminho, Diablo encontrou um formato que parece ter sido feito para ele
Existe uma ironia deliciosa nessa história.
A Blizzard passou anos criando universos gigantescos, cheios de personagens, mitologias e histórias que dariam material para dezenas de filmes e séries.
Mas quando chegou a hora de colocar esses mundos na tela, as coisas não foram exatamente… tranquilas.
Warcraft chegou aos cinemas e mostrou que adaptar um universo de videogame gigantesco para live-action pode custar caro — e dar muita dor de cabeça.
Diablo, por outro lado, nem conseguiu chegar tão longe em uma primeira tentativa.
Agora, aparentemente, a Blizzard decidiu que já sofreu o suficiente.
A solução?
Mandar Diablo para a Netflix como uma série animada.
E, sinceramente? Finalmente alguém naquela reunião teve uma boa ideia.
Diablo combina com animação de um jeito quase absurdo
Vamos pensar por alguns segundos.
Diablo tem demônios, anjos, massacres, igrejas profanadas, criaturas grotescas, necromantes, corrupção, sangue e um mundo inteiro que parece ter sido construído depois de alguém perguntar:
“E se a humanidade estivesse tendo um dia particularmente ruim?”
Agora compare isso com o modelo de uma superprodução live-action.
Orçamentos gigantescos. Efeitos visuais caríssimos. Maquiagem digital. Cenários. Criaturas que precisam parecer reais.
E, no final, alguém ainda precisa olhar para um demônio gigantesco e convencer o público de que aquilo não saiu de um filme de fantasia genérico.
A animação simplesmente resolve boa parte desse problema.
Mais do que isso: ela permite que Diablo seja Diablo.
O visual exagerado, sombrio e grotesco da franquia pode ser transportado para a tela sem precisar ser “domesticado” para caber em uma produção tradicional.
E depois de Castlevania, Arcane, Cyberpunk: Edgerunners e Devil May Cry, já não existe mais aquela velha desculpa de que animação baseada em videogame é coisa de segunda categoria.
A própria indústria já provou o contrário.
A Netflix já sabe jogar esse jogo
A escolha da Netflix também não parece exatamente aleatória.
A plataforma ajudou a transformar adaptações de games em algo que pode ser levado a sério.
Castlevania mostrou que uma história baseada em videogame poderia funcionar muito bem como animação adulta.
Arcane foi ainda mais longe e virou fenômeno de crítica e público.
Edgerunners mostrou que uma franquia pode ganhar uma identidade própria sem perder a essência do jogo.
E agora Diablo entra nessa fila.
Ou seja, a Blizzard não está chegando a um terreno desconhecido.
Ela está chegando onde outras franquias já abriram caminho.
E talvez seja justamente isso que torna o projeto tão interessante.
Blizzard não quer parar em Diablo
A presidente da Blizzard, Johanna Faries, confirmou que a série de Diablo faz parte de um movimento maior para levar os universos da empresa para outras telas.
E essa parte merece atenção.
Porque, aparentemente, Diablo não seria simplesmente “um projeto da Netflix”.
A Blizzard está falando em ampliar suas franquias para além dos games.
Traduzindo do corporativês:
tem mais coisa vindo aí.
E aí entram Warcraft, Overwatch e todo o gigantesco catálogo que a empresa possui.
Considerando que a Blizzard agora está dentro da Microsoft, existe um potencial enorme para transformar essas propriedades em séries, animações e outros projetos audiovisuais.
E vamos combinar:
se alguém olhar para Overwatch e enxergar apenas um jogo, está deixando dinheiro demais na mesa.
Mas calma: ainda não sabemos quase nada
Antes que alguém comece a escolher dublador, montar teoria sobre a primeira temporada e decidir qual demônio deveria ganhar uma série própria…
Calma.
A Blizzard ainda não revelou showrunner, estúdio responsável pela animação, elenco de voz ou sequer uma janela de lançamento.
Ou seja:
Diablo está oficialmente indo para a Netflix.
Mas ainda não sabemos quando vamos assistir.
E considerando o histórico desse projeto, talvez seja melhor não contar os dias no calendário ainda.
Diablo já tentou antes — e não terminou muito bem
A história fica ainda mais curiosa porque essa não é exatamente a primeira vez que Diablo tenta chegar à Netflix.
Em 2018, uma série animada da franquia chegou a entrar em desenvolvimento.
Só que uma disputa envolvendo a Activision Blizzard e a contratação de um executivo pela Netflix acabou colocando o projeto em uma situação complicada.
Resultado?
Aquela tentativa morreu antes de conseguir chegar às telas.
Oito anos depois, Diablo está novamente batendo na porta da Netflix.
Dessa vez, porém, o cenário parece muito mais favorável.
A animação deixou de ser uma alternativa “mais barata” e virou uma das formas mais interessantes de expandir universos de games.
Talvez a Blizzard tenha aprendido com Warcraft
E aqui está a parte que mais chama atenção.
Warcraft tentou conquistar o cinema.
Diablo está escolhendo a televisão.
Não necessariamente porque a franquia seja menor — muito pelo contrário.
Mas porque o formato pode ser muito mais adequado ao tipo de história que Diablo quer contar.
Em vez de tentar condensar um universo inteiro em duas horas, uma série pode construir personagens, explorar Santuário, apresentar suas facções e deixar o horror respirar.
Porque Diablo não precisa necessariamente de um espetáculo de três horas.
Ele precisa de atmosfera.
Precisa daquele sentimento de entrar em uma cidade e pensar:
“Tem alguma coisa muito errada acontecendo aqui.”
E depois descobrir que, sim, tinha alguma coisa muito errada acontecendo ali.
E talvez esse seja só o começo
A Blizzard passou anos construindo mundos que pareciam grandes demais para qualquer adaptação.
Agora ela parece ter encontrado uma fórmula diferente.
Em vez de tentar transformar cada franquia em um blockbuster, pode usar a animação para expandir esses universos com mais liberdade e menos amarras.
Diablo foi escolhido para abrir essa nova porta.
E se funcionar, podemos estar olhando para o começo de uma verdadeira expansão audiovisual da Blizzard.
Então fica a pergunta:
qual universo vem depois?
Porque se a Blizzard realmente decidiu abrir a porteira…
Santuário pode ser apenas o primeiro lugar onde os demônios vão aparecer.
E, sinceramente?
Depois de tudo que Diablo já sobreviveu, uma série na Netflix parece até o desafio mais fácil.