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Nos últimos tempos, a AbleGamers Brasil resolveu cutucar uma porta que a sociedade insiste em deixar trancada: o direito básico de qualquer pessoa jogar videogame sem precisar vender um rim. A ONG abriu um abaixo-assinado para apoiar o Projeto de Lei nº 484/2024, que pretende tirar a montanha de impostos em cima de controles e jogos adaptados para pessoas com deficiência no Estado de São Paulo.

Pode parecer exagero, mas não é: hoje, no país, há algo em torno de 25 milhões de jogadores com deficiência. Metade deles só consegue jogar com algum tipo de adaptação. E o curioso é que, mesmo assim, seguimos tratando acessibilidade como luxo de colecionador e não como algo óbvio, cotidiano e necessário.

A conta pesa — e muito. Um controle adaptado pode custar R$ 500 ou chegar próximo ao orçamento de uma geladeira nova. Grande parte desse valor não tem nada de tecnológico ou futurista: só imposto mesmo, aquela velha pedra no caminho camuflada de burocracia.

O projeto de lei, se aprovado, autoriza o governo estadual a aliviar essa carga tributária e tornar mais barato o acesso a equipamentos e softwares adaptados. Parece coisa simples, mas, para muita gente, significa a diferença entre jogar e assistir os outros jogarem para sempre.

E existe outro lado aí que ninguém comenta porque soa sombrio demais para a abertura de um evento gamer: o isolamento social. Pesquisas internacionais apontam que pessoas isoladas vivem menos. E pessoas com deficiência tendem a ser isoladas com muito mais frequência. Em outras palavras: garantir acessibilidade nos games não é só sobre diversão, mas sobre qualidade de vida, convivência e inclusão de verdade.

Christian Bernauer, diretor-presidente da AbleGamers Brasil, resumiu bem ao lembrar que os jogos são uma das maneiras mais fáceis de participar do mundo. E está certo. Às vezes, um joystick faz mais pela saúde mental do que três semanas de palestras motivacionais sobre vencer na vida.

A AbleGamers quer mostrar isso ao poder público. Mas também quer que a sociedade pare de agir como se inclusão fosse um DLC opcional.

Afinal: abrir um jogo deveria ser difícil.
Entrar nele, não.

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Autor

Rafaela Yamazato

rafayamazato@laranjacast.com.br

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