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Durante anos, falar em filme de Resident Evil era quase sinônimo de abrir uma discussão que terminava em “mas isso não parece Resident Evil”.
Agora, curiosamente, a conversa parece estar tomando outro rumo.
As primeiras reações ao novo filme dirigido por Zach Cregger, responsável por Barbarian e Weapons, começaram a aparecer após as primeiras exibições e estão surpreendentemente positivas. O longa chega aos cinemas em 18 de setembro, com Austin Abrams no papel de Bryan, um entregador de medicamentos que acaba no meio de um verdadeiro pesadelo em Raccoon City.
E aparentemente o filme entendeu uma coisa que algumas adaptações anteriores demoraram bastante para entender:
Resident Evil não precisa parecer um filme de ação com zumbis. Ele precisa fazer você sentir que está preso dentro de um jogo de Resident Evil.
O filme não está tentando simplesmente copiar os jogos
Uma das escolhas mais curiosas de Cregger foi não transformar o longa em uma adaptação direta de um capítulo específico da franquia.
A história acompanha Bryan durante uma noite de caos provocada pelo surto viral, enquanto ele tenta simplesmente sobreviver ao que está acontecendo ao seu redor.
E isso muda completamente a perspectiva.
Em vez de colocar na tela um personagem que já chega sabendo atirar, lutar, investigar e provavelmente fazer um discurso motivacional antes de enfrentar um monstro de três metros, temos alguém que parece estar tão perdido quanto qualquer pessoa normal estaria.
Ou seja: o cidadão comum descobrindo que o apocalipse zumbi não estava no contrato de trabalho.
A proposta também incorpora elementos reconhecíveis dos games, incluindo momentos em primeira pessoa, criaturas grotescas, exploração e aquela sensação permanente de que alguma coisa horrível está prestes a acontecer.
E o terror parece estar funcionando
As primeiras reações destacam justamente a mistura entre terror, violência gráfica, humor e tensão.
O filme tem pouco mais de 90 minutos e aparentemente não está interessado em ficar enrolando. Algumas pessoas que já assistiram descreveram a experiência como uma montanha-russa praticamente sem freio, com criaturas perturbadoras, sequências violentas e mudanças constantes de intensidade.
E isso combina bastante com a proposta de Cregger.
Quem assistiu Barbarian e Weapons já sabe que o diretor gosta de brincar com desconforto e humor absurdo. Só que agora ele colocou essa fórmula dentro de uma franquia que já possui décadas de monstros, vírus, zumbis e decisões questionáveis tomadas em lugares onde claramente ninguém deveria entrar.
O resultado, pelo menos nas primeiras impressões, parece estar funcionando.
Austin Abrams virou uma das surpresas
Outro nome que aparece repetidamente nos comentários é Austin Abrams.
O ator interpreta Bryan, e a ideia é justamente apresentar alguém vulnerável, despreparado e bastante humano diante de uma situação completamente absurda.
Isso parece ter criado uma identificação diferente com o protagonista.
Ele não está tentando ser o próximo Chris Redfield.
Ele está tentando não morrer.
E talvez seja justamente aí que o personagem funcione tão bem.
As primeiras reações destacaram o desempenho de Abrams e a maneira como o filme transforma a jornada de Bryan quase em uma experiência de videogame, acompanhando sua evolução enquanto ele tenta sobreviver ao caos.
Mas calma: não é unanimidade
E aqui entra uma parte importante para não transformar empolgação de estreia em propaganda involuntária.
Embora a recepção inicial tenha sido extremamente positiva, algumas críticas completas foram mais moderadas.
Há elogios à direção, ao humor, às criaturas e à atuação de Abrams, mas também observações de que o filme perde um pouco de força em determinados momentos da segunda metade e que algumas escolhas podem dividir os fãs mais tradicionais da franquia.
Ou seja: não é exatamente “todo mundo saiu do cinema carregando uma erva verde”.
Mas o cenário é bem diferente daquele ao qual os fãs de Resident Evil estavam acostumados quando o assunto era cinema.
Talvez finalmente tenham entendido o espírito de Resident Evil
A grande vitória dessa nova adaptação pode estar justamente em não tentar reproduzir cada elemento dos jogos.
O filme parece ter entendido que adaptar videogame não significa simplesmente pegar personagens, criaturas e referências e jogar tudo dentro de uma produção.
É preciso reproduzir a sensação de jogar.
A tensão de atravessar um corredor sem saber o que existe atrás da porta.
A ansiedade antes de entrar em uma sala.
O monstro aparecendo quando você já gastou quase toda a munição.
E, principalmente, aquela sensação maravilhosa de:
“Eu definitivamente não deveria estar aqui.”
As primeiras reações indicam que Cregger conseguiu transportar boa parte dessa experiência para o cinema.
E isso talvez seja o mais interessante de tudo.
Depois de tantas tentativas de transformar Resident Evil em cinema, talvez a solução tenha sido simplesmente voltar ao básico:
terror, sobrevivência, monstros e uma pessoa desesperada tentando chegar viva ao final.
Se o filme conseguir sustentar essa energia quando chegar ao público geral, podemos finalmente estar diante de uma adaptação de Resident Evil que não precise pedir desculpas por ser um filme de Resident Evil.
Agora falta descobrir uma coisa:
será que o público vai comprar essa ideia tanto quanto quem já viu comprou?
Resident Evil chega aos cinemas em 18 de setembro de 2026.