×
Em

E quase teve medo de que Red Dead Redemption 2 fosse “chato” demais

Hoje, falar que Red Dead Redemption 2 poderia ser entediante parece quase uma heresia.

O jogo é constantemente lembrado como uma das experiências mais impressionantes da última década — e, para muita gente, um dos melhores jogos já feitos. Mas durante o desenvolvimento, a própria Rockstar tinha uma preocupação bastante específica: e se os jogadores simplesmente não tivessem mais paciência para aquele ritmo?

O problema tinha nome e sobrenome: GTA 5.

Depois de entregar um dos mundos abertos mais populares da história, com três protagonistas, troca instantânea de personagens, explosões, perseguições e uma quantidade praticamente criminosa de coisas acontecendo ao mesmo tempo, a Rockstar decidiu fazer algo bem diferente com seu próximo grande projeto.

Em vez de acelerar, ela resolveu respirar.

E isso deixou o estúdio preocupado.

Arthur Morgan não tinha pressa — e esse era justamente o problema

Durante o desenvolvimento de Red Dead Redemption 2, a Rockstar queria construir uma experiência muito mais pessoal.

Arthur Morgan seria o centro da história. Um protagonista acompanhado de perto, com personalidade, conflitos, relações e uma trajetória que poderia mudar conforme as escolhas do jogador.

Só que havia um detalhe: isso significava abrir mão de boa parte da fórmula que havia funcionado tão bem em GTA 5.

Rob Nelson, produtor de Red Dead Redemption 2 e diretor de arte de GTA 5, relembrou que o estúdio chegou a temer que os jogadores se entediassem acompanhando apenas um protagonista.

E não é difícil entender a preocupação.

Você saía de GTA 5 podendo alternar entre Michael, Franklin e Trevor e ia para um jogo no qual passava horas cavalgando, conversando, observando o ambiente e simplesmente… vivendo.

Para alguns jogadores, aquilo poderia parecer uma redução de ritmo.

Hoje, olhando para o resultado, é quase engraçado imaginar a Rockstar preocupada que Arthur Morgan fosse “lento demais”.

Porque aparentemente o problema não era o jogo ser lento.

Era a Rockstar descobrir que os jogadores tinham gostado de uma história bem contada.

Até trocar de personagem entrou na discussão

A ideia de ter mais de um protagonista não surgiu apenas agora.

Durante a produção de Red Dead Redemption 2, a Rockstar chegou a considerar a possibilidade de permitir que os jogadores alternassem entre diferentes integrantes da gangue de Dutch.

Afinal, depois de GTA 5, essa parecia uma evolução natural.

Mas o estúdio decidiu seguir outro caminho.

E foi provavelmente uma das melhores decisões que poderia ter tomado.

Ao manter Arthur como protagonista, a Rockstar conseguiu investir muito mais na construção daquele personagem. Em vez de dividir a experiência entre vários heróis, o jogador acompanha de perto a transformação de um homem que começa a questionar a própria vida, suas escolhas e o mundo ao redor.

Arthur não precisava disputar tempo de tela com ninguém.

A história era dele.

E, consequentemente, a conexão também.

Red Dead Redemption 2 ensinou uma coisa importante para a Rockstar

O resultado acabou mostrando que aquela preocupação inicial talvez estivesse completamente errada.

Os jogadores não rejeitaram o ritmo mais contemplativo.

Na verdade, abraçaram.

Red Dead Redemption 2 provou que um jogo de mundo aberto não precisa colocar uma explosão a cada cinco minutos para prender a atenção.

Às vezes, basta colocar o jogador em cima de um cavalo, atravessando uma paisagem absurda de bonita, enquanto uma conversa aparentemente banal vai construindo um personagem que você vai lembrar anos depois.

É um tipo de experiência que exige paciência.

E, aparentemente, a Rockstar descobriu que seus jogadores tinham mais paciência do que ela imaginava.

Mas essa descoberta não ficou presa ao Velho Oeste.

Ela acabou viajando diretamente para o próximo grande projeto da empresa.

Red Dead Redemption 2 pode ter ajudado a definir o GTA 6

Segundo Nelson, a experiência com Arthur Morgan influenciou diretamente a maneira como a Rockstar passou a pensar seus protagonistas.

A ideia para GTA 6 era preservar justamente aquilo que funcionou tão bem em Red Dead Redemption 2: um mundo mais profundo, personagens com relações mais significativas e uma conexão emocional maior com quem está jogando.

Só que havia outro desafio.

Como fazer isso mantendo múltiplos protagonistas?

A Rockstar considerou diferentes possibilidades. Chegou até a imaginar um grupo maior de personagens jogáveis.

Mas acabou chegando a uma solução bem mais simples:

dois protagonistas.

É aí que entram Jason e Lucia.

Em vez de simplesmente repetir a fórmula de GTA 5 com três personagens que funcionam quase como peças independentes, a proposta seria explorar a relação entre os dois e como essa conexão pode evoluir durante a história.

Ou seja: a Rockstar aparentemente quer juntar duas coisas que aprendeu nos últimos anos.

A liberdade e variedade de GTA 5.

E a profundidade emocional de Red Dead Redemption 2.

A Rockstar quer superar o próprio problema

E talvez essa seja uma das partes mais interessantes de toda essa história.

Red Dead Redemption 2 nasceu de um medo: ser lento demais depois do sucesso gigantesco de GTA 5.

Agora, anos depois, a Rockstar parece estar tentando fazer exatamente o contrário.

Pegar tudo aquilo que aprendeu com Arthur Morgan e levar para um universo onde normalmente esperamos caos, velocidade, violência e muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

O resultado pode ser uma das maiores mudanças de abordagem da franquia.

Porque se GTA 5 mostrou que três protagonistas podem funcionar…

Red Dead Redemption 2 mostrou que um protagonista pode fazer você se importar de verdade com ele.

E agora o GTA 6 parece querer descobrir se dá para ter os dois.

Se funcionar, talvez a maior preocupação da Rockstar nunca tenha sido “mimar demais” os jogadores.

Talvez ela só estivesse descobrindo, jogo após jogo, o quanto seus próprios jogadores ficaram exigentes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Autor

Rafaela Yamazato

rafayamazato@laranjacast.com.br

Posts relacionados

Em

Asmodee lança Dobble One Piece no Brasil com Luffy, Zoro e outros personagens icônicos

Os fãs de One Piece já têm mais um item para adicionar à coleção. A Asmodee, uma das maiores distribuidoras de jogos...

Leia tudo
Em

Ragnarök Online LATAM recebe uma das maiores atualizações do ano — e talvez seja a desculpa que muita gente esperava para voltar

Todo MMORPG vive um desafio constante: dar motivos para que seus jogadores continuem voltando. Alguns apostam em uma expansão gigantesca. Outros preferem...

Leia tudo
Em

Sword Art Online acaba de lembrar por que o conceito desse anime ainda é assustadoramente genial

Tem algo em Sword Art Online que continua funcionando mesmo depois de tantos anos. Não importa quantos animes de MMORPG existam hoje....

Leia tudo
Em

Esse jogo te impede de evoluir — e isso é a melhor parte

Enquanto todo RPG te condiciona a subir números, The Player Who Can’t Level Up faz o oposto: te coloca no centro de...

Leia tudo
Em

Magic em 2026: Prepare sua carteira

A MagicCon Atlanta trouxe um verdadeiro tsunami de anúncios para 2026. São sete novos conjuntos confirmados, além de uma coleção de crossovers...

Leia tudo

Silent Hill f chega hoje: beleza e horror no Japão dos anos 60

A espera acabou. Silent Hill f acaba de ser lançado mundialmente e marca um novo capítulo para uma das franquias de terror...

Leia tudo