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Quando você pensa em Universal, provavelmente vêm à cabeça dinossauros correndo atrás de alguém, Harry Potter, monstros clássicos, parques gigantes ou aquele globo girando antes de um filme começar.

Só que antes de virar uma das marcas mais reconhecidas do entretenimento mundial, a Universal precisou atravessar guerras, mudanças de Hollywood, revoluções tecnológicas e algumas criaturas bastante assustadoras.

A trajetória da empresa é revisitada no livro “Uma Grande Aventura”, de Fabio Trabulsi Ashcar, que apresenta aos leitores brasileiros a evolução da Universal desde suas origens até a gigantesca operação de entretenimento que conhecemos hoje.

E a história é bem maior do que parece.

1. A Universal nasceu há mais de um século

A história começa oficialmente no início do século XX, quando Carl Laemmle fundou a Universal Film Manufacturing Company.

O nome Universal começou a ganhar espaço no cinema ainda na década de 1910, em uma época em que Hollywood estava longe de ser a máquina de entretenimento que conhecemos atualmente.

2. O primeiro grande sucesso já chegou causando polêmica

Um dos primeiros longas associados à Universal foi “Traffic in Souls”, lançado em 1913.

O filme abordava o tráfico de mulheres e causou impacto justamente por tratar de um assunto extremamente delicado para a época.

O curioso está também nos números: produzido com um orçamento de pouco mais de US$ 5 mil, o longa teria arrecadado quase US$ 500 mil.

Para os padrões atuais, parece pouco. Para a época, era um baita negócio.

E a Universal começava a descobrir uma regra que Hollywood jamais abandonaria: polêmica chama atenção, atenção leva gente ao cinema e gente no cinema paga ingresso.

3. A Universal virou praticamente uma “casa dos monstros”

Se existe uma característica que ajudou a construir a identidade da Universal, é o terror.

Durante as décadas de 1920, 1930 e 1940, o estúdio ajudou a transformar criaturas assustadoras em verdadeiras estrelas.

Drácula, Frankenstein, a Múmia, o Homem Invisível, o Lobisomem, o Monstro da Lagoa Negra e o Fantasma da Ópera passaram pelos seus filmes.

Foi daí que surgiu a fama de “Casa dos Monstros”.

E talvez essa seja uma das maiores ironias da história da empresa: décadas depois, a Universal estaria colocando famílias inteiras em filas gigantes de parques temáticos para tirar foto justamente com alguns desses personagens.

O terror virou atração turística. Hollywood sendo Hollywood.

4. Alfred Hitchcock também ajudou a construir essa história

Se você gosta de suspense, provavelmente já esbarrou em alguma produção ligada a Alfred Hitchcock.

O diretor trabalhou com a Universal em alguns dos filmes mais importantes de sua carreira, incluindo “Um Corpo que Cai”, “Psicose” e “Os Pássaros”.

E Psicose merece um destaque especial.

A famosa cena do chuveiro se tornou uma das sequências mais reconhecíveis da história do cinema. Uma cena tão simples que conseguiu transformar uma pessoa tomando banho em uma atividade potencialmente traumática para milhões de espectadores.

Obrigado, Hitchcock.

5. Steven Spielberg ajudou a mudar o jogo

A década de 1970 marcou uma transformação importante em Hollywood, e a Universal esteve no centro dela.

Foi nesse período que um jovem diretor chamado Steven Spielberg começou a construir uma carreira que posteriormente se tornaria uma das mais importantes do cinema.

Primeiro veio “Tubarão”, em 1975.

Depois, “E.T. – O Extraterrestre”, em 1982.

E então apareceu “Jurassic Park”, em 1993.

O resultado foi uma sequência de fenômenos culturais que não apenas fizeram dinheiro, mas também ajudaram a definir o que entendemos por blockbuster.

Dinossauros, alienígenas e tubarões assassinos: aparentemente, Spielberg descobriu cedo que o público gosta mesmo é de problemas que você não conseguiria resolver com uma simples conversa.

6. A Universal não vive apenas de cinema

É aqui que a história fica ainda mais interessante.

A Universal deixou de ser apenas um estúdio cinematográfico e passou a explorar suas propriedades intelectuais em diferentes áreas do entretenimento.

Filmes viraram atrações. Personagens viraram experiências. Franquias viraram parques.

É o caso de propriedades como Jurassic Park, Velozes & Furiosos, Meu Malvado Favorito e tantas outras.

Essa expansão ajudou a transformar a marca em algo muito maior do que um estúdio.

Você não precisa necessariamente assistir a um filme da Universal para consumir Universal.

Pode ir ao parque. Comprar um produto. Conhecer um personagem. Entrar em uma atração.

Hollywood percebeu que uma boa franquia pode ganhar dinheiro de várias maneiras — e aparentemente decidiu explorar todas elas.

7. Mais de 100 anos depois, a história continua

Talvez a maior curiosidade sobre a Universal seja justamente essa: a empresa conseguiu atravessar diferentes eras do entretenimento sem deixar de se reinventar.

Ela passou pelo cinema mudo, pelo auge dos monstros clássicos, pelo suspense, pela era dos grandes diretores, pelos blockbusters e, posteriormente, pela expansão dos parques e das grandes franquias.

O livro “Uma Grande Aventura”, de Fabio Trabulsi Ashcar, surge justamente como uma forma de reunir essa trajetória em uma publicação brasileira dedicada à história da companhia.

Porque quando você olha para a Universal hoje, é fácil enxergar apenas o tamanho do império.

Mas existe uma história centenária por trás daquele globo.

E ela começou muito antes de alguém decidir colocar um velociraptor, um Minion e o Harry Potter no mesmo mapa.

Uma história que ainda está sendo escrita

A Universal conseguiu algo que poucas empresas de entretenimento conseguem: transformar seu próprio passado em parte do espetáculo.

Os monstros continuam populares. Os clássicos continuam sendo redescobertos. Os filmes continuam chegando aos cinemas. E as franquias continuam encontrando novas maneiras de ocupar a cultura pop.

No fim das contas, talvez o maior legado da Universal não seja um filme específico ou uma atração de parque.

É ter ajudado a transformar histórias em experiências que atravessam gerações.

E convenhamos: para uma empresa que começou há mais de um século, continuar encontrando maneiras de fazer a gente olhar para uma tela, comprar um ingresso ou entrar numa fila gigantesca por horas é um feito e tanto.

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Autor

Rafaela Yamazato

rafayamazato@laranjacast.com.br

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