- 0
- 776 words
Brazilian Indie Pavilion reúne 35 games nacionais em Colônia, na Alemanha, e coloca estúdios brasileiros no radar do mercado internacional
O Brasil ganhou um novo palco para mostrar sua força no mercado de games. Pela primeira vez, a gamescom 2026, um dos maiores eventos de jogos do mundo, recebe um espaço exclusivo dedicado à produção independente brasileira.
O Brazilian Indie Pavilion, em Colônia, reúne 35 jogos desenvolvidos por estúdios brasileiros, levando ao público internacional uma seleção que passeia por diferentes gêneros, estilos e propostas.
E tem mais: 15 dos projetos presentes receberam mentoria e capacitação do Sebrae-SP por meio do CRIE Games, iniciativa criada para ajudar pequenos estúdios a desenvolver negócios, conquistar novos mercados e se preparar para oportunidades internacionais.

O Brasil ganhou seu próprio espaço na gamescom
A estreia do pavilhão representa um momento importante para os desenvolvedores brasileiros.
Mais do que simplesmente exibir jogos, a presença na gamescom coloca os estúdios frente a frente com publishers, investidores, desenvolvedores e possíveis parceiros internacionais.
Durante o evento, os representantes brasileiros participaram de rodadas de negócios mediadas pela equipe técnica do Sebrae-SP, criando oportunidades para apresentar seus projetos diretamente a profissionais da indústria.
Para os estúdios independentes, esse tipo de contato pode ser decisivo.
🎤 Do pitch para uma publisher internacional
As primeiras experiências já renderam resultados.
Matheus Lacerda, da TinyTank Studio, destaca que os encontros podem gerar oportunidades que vão muito além de simplesmente encontrar uma publisher para lançar o jogo.
A ideia é também encontrar profissionais com conhecimentos e contatos capazes de contribuir para o crescimento do projeto.
No caso da Goblin Studios, a estratégia também deu resultado. Segundo Tony Cruz, uma apresentação durante as rodadas de negócios despertou o interesse de uma publisher asiática, que foi procurada imediatamente para conhecer o projeto.
Ou seja: um pitch de poucos minutos pode abrir portas do outro lado do planeta.
🎮 Testar com o público também faz parte do jogo
Outro diferencial da participação brasileira é a possibilidade de colocar os games diretamente nas mãos do público internacional.
E isso pode revelar coisas que nenhum teste realizado apenas no mercado doméstico conseguiria mostrar.
Um exemplo é o humor. Uma piada que funciona perfeitamente para o público brasileiro pode ter uma reação completamente diferente em outro país.
Para Jenifer Botossi, coordenadora de economia criativa do Sebrae-SP, a gamescom permite que os desenvolvedores observem essas reações em tempo real e entendam o que funciona — ou precisa ser ajustado — para diferentes culturas.
É quase um grande playtest internacional.
🌎 35 jogos brasileiros no radar do mundo
O Brazilian Indie Pavilion apresenta uma seleção bastante variada de projetos.
Entre os brasileiros presentes estão:
32 Pixels — Tuned Turtle – A Tartaruga Tunada
Candeia Studio — BACKUP_71
Curare Games — Defe
Febatis Studio — Yaguareté: The Game
FromZero Game Studio — Kings of Antikva
Galactonautas — Bruce’s Gym
O Chamado do Herói — Bookatoon
Goblin Studios — Everlen
Hestios Studios — Ivayami – Cradle of Fog
Ilex Games — O.U.T.T
Made in Bugs — Asumi: Little Ones
Mikan Games — Kundara: Art of Cards
Raccoons at Work Studios — Capybara Hideout
TinyTank Studio — My Girlfriend is a VAMP
Tropical Games Studio — Continue Dream Playgrounds
Os títulos dos estúdios paulistas apoiados pelo CRIE Games estão no espaço ao lado de parceiros como a Embratur e o Brazil Games, programa de internacionalização da Abragames em parceria com a ApexBrasil.
💰 Mercado bilionário é oportunidade para os indies
A aposta no mercado internacional não acontece por acaso.
De acordo com a Newzoo, a indústria mundial de games movimentou cerca de US$ 188,8 bilhões em 2025, crescimento de 3,4% em relação a 2024. O número de jogadores chegou a aproximadamente 3,6 bilhões de pessoas.
E o Brasil também tem uma comunidade crescente de desenvolvedores.
Segundo a Abragames, o país possui cerca de mil estúdios de games, responsáveis pela criação de mais de 2,5 mil jogos entre 2020 e 2022.
🚀 O próximo hit brasileiro pode estar entre eles?
A participação na gamescom não garante que um jogo será publicado ou se tornará um sucesso global. Mas oferece algo extremamente valioso para um estúdio independente: visibilidade internacional.
Para equipes pequenas, conseguir mostrar um projeto diretamente para publishers, investidores e jogadores estrangeiros pode ser o primeiro passo para transformar uma boa ideia em um produto global.
Com 35 jogos reunidos em um único espaço, a mensagem do Brazilian Indie Pavilion é clara:
o Brasil não quer apenas jogar games. Quer também estar entre os países que estão criando o que o mundo vai jogar amanhã.