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Antes do streaming, antes do algoritmo, antes de alguém te avisar que “isso pode ser perturbador”, existiam filmes que não deviam ser vistos. Faces da morte era um deles. Não passava na TV, não tinha sessão da tarde, não vinha com aviso de gatilho. Vinha em VHS gasto, capa genérica e uma frase sussurrada: “dizem que é tudo real”.

Agora, quase meio século depois, o filme mais maldito do terror exploitation retorna. O reboot de Faces da morte ganhou seu primeiro trailer e estreia marcada para 10 de abril de 2026, com classificação R. E não, ele não quer pedir desculpa.

Lançado em 1978, Faces da morte fingia ser documentário e jurava mostrar mortes reais. Cirurgias, mutilações, acidentes, rituais — tudo embalado por uma narração fria e clínica, como se o mundo fosse um necrotério aberto. Era mentira? Em grande parte, sim. Importava? Nem um pouco. O estrago cultural já estava feito. Banido em dezenas de países, o filme virou lenda urbana, fetiche de locadora e rito de passagem para quem achava que já tinha visto de tudo.

O reboot entende isso. Dirigido por Daniel Goldhaber (Cam), o novo filme não tenta enganar — tenta provocar. A história segue um moderador de vídeos online, alguém pago para olhar o que ninguém quer ver, que acaba encontrando um grupo recriando as mortes do filme original. A pergunta volta, agora com Wi-Fi: isso é real ou só parece real o suficiente para causar dano?

O trailer traz a narração clássica, imagens desconfortáveis e uma sensação que lembra sessões clandestinas de grindhouse, não estreias higienizadas de multiplex. Aqui não tem herói, não tem alívio cômico, não tem algoritmo bonzinho. Tem olhar fixo demais na tela e a vontade de desviar os olhos.

No elenco: Barbie Ferreira, Dacre Montgomery, Josie Totah, Jermaine Fowler e Charli XCX. Gente da cultura pop atual enfiada até o pescoço em um conceito velho, sujo e perigosamente eficaz: o terror que faz você se perguntar por que está assistindo.

Faces da morte nunca foi sobre morte. Foi sobre curiosidade, voyeurismo e o prazer desconfortável de ver algo que você sabe que não deveria. Em 2026, ele volta do mesmo jeito que surgiu: sem pedir permissão, sem aviso e pronto para incomodar quem achava que já tinha visto tudo.

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Autor

Ricardo Rocha

ricardo.rocha@laranjacast.com.br

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