Depois de meses de cochichos, pistas acidentais e “ops, publiquei antes da hora”, finalmente alguém resolveu assumir: a Ubisoft confirmou que uma série de TV de Far Cry está realmente em produção. E não, não é sonho coletivo de gamer exausto. A informação veio do The Hollywood Reporter, garantindo que a adaptação chega ao Hulu e ao Disney+.
Curiosamente, o projeto estava escondido atrás de um anúncio que surgiu no site da Ubisoft e desapareceu tão rápido quanto o entusiasmo por mais um Far Cry genérico com mapa inflado. Mas agora está tudo assumido, carimbado e prometido.
A série nasce das mentes improváveis de Noah Hawley, que acabou de ganhar um contrato gigantesco com a FX para mais dez anos de conteúdo, e Rob Mac, de It’s Always Sunny in Philadelphia, que inclusive alterou o próprio nome recentemente para facilitar a vida de quem tenta soletrar. Ou seja: uma dupla que já avisa, sem dizer nada, que nada precisa ser levado a sério demais.
Segundo a FX, a ideia é transformar Far Cry em uma antologia: cada temporada com uma história diferente, personagens novos e temas próprios. É a lógica da franquia aplicada sem medo. Hawley explicou que Far Cry funciona como Fargo: um mesmo “tema central”, reinterpretado de várias maneiras. Troque nevasca existencialista por violência ensolarada tropical e pronto, temos televisão.
Felizmente — e aqui falo como quem jogou tudo — não existe compromisso oficial de adaptar enredos dos jogos, até porque eles colocam o espectador naquele dilema profundo: família do protagonista sequestrada por vilão carismático ou salvar o galinheiro? Além de tropeçarem constantemente em discursos desastrosos, caricaturas culturais e ambições filosóficas que sempre viram meme.
Mas, apesar de toda a reputação trôpega, há algo interessante nesse caos: Far Cry sempre se pendura em temas enormes e absurdos. Cultos apocalípticos. Desastres sociopolíticos. Sociedades pré-históricas. Dragões neon dos anos 80. Ou seja, se tem algo, é potencial para exagero criativo.
Resta saber qual “Far Cry” será o escolhido como ponto de partida. Há desde o primeiro jogo, que tecnicamente pertence à família do Crysis, até as aventuras tribais de Primal, passando por Blood Dragon e seu delírio metalinguístico que parece ter sido criado por alguém trancado em uma locadora em 1993.
Seja qual for o caminho, a promessa é clara: uma série de ação, que se reinventa a cada ano, usando o caos humano como matéria-prima. Uma ideia ambiciosa, irônica e inesperada, que provavelmente ninguém pediu, mas agora queremos ver onde vai dar.
Afinal, se tem algo que Far Cry sabe fazer, é transformar o improvável em espetáculo.
E, desta vez, oficialmente