São Paulo 29 de julho de 2025
Já imaginou poder conversar com Albert Einstein, ouvir as opiniões de grandes cientistas do passado ou trocar ideias com personalidades que já se foram, como se elas estivessem vivas hoje? Para Giovanni La Portai, CEO da Vórtice.ai, essa possibilidade pode se tornar realidade nas próximas décadas graças aos avanços da inteligência artificial.
Durante a entrevista, Giovanni contou a trajetória do grupo Framework Digital, nascido em Londres em 2007, e que chegou ao Brasil em 2009 trazendo soluções para a tecnologia dos smartphones, ainda em ascensão na época. Hoje, a empresa é um ecossistema com cinco companhias, incluindo a Vórtice.ai, unidade dedicada exclusivamente à pesquisa e desenvolvimento em inteligência artificial.
“Nosso objetivo é simples: criar tecnologia no Brasil para exportar para o mundo, em vez de apenas consumir o que vem da Europa, dos Estados Unidos ou da China”, destacou Giovani.
Deep Reflection: um “espelho digital” da mente humana
Um dos projetos mais ambiciosos do grupo é o Deep Reflection, uma tecnologia capaz de criar um reflexo digital de uma pessoa. Não se trata de replicar a consciência humana – algo que ainda está além do nosso alcance –, mas de usar tudo que alguém já produziu publicamente (textos, vídeos, áudios, declarações) para formar uma espécie de “gêmeo virtual”.
“Não é uma cópia da mente. É um espelho do que a pessoa expressou em vida: suas opiniões, pensamentos, a forma como falava. É possível treinar a IA para responder como ela responderia, baseada no que ela deixou registrado”, explicou o CEO.
A ideia se conecta ao famoso Teste de Turing, criado para avaliar quando uma máquina consegue se comunicar de forma tão natural que um ser humano não percebe que está interagindo com uma inteligência artificial. Segundo Giovanni, estamos dando apenas os primeiros passos, mas os resultados já são promissores.
Herança digital: diálogos com o passado
O ponto mais surpreendente da entrevista foi a visão de futuro que Giovanni compartilhou:
“Daqui 50 anos, a tecnologia pode evoluir tanto que será possível conversar com versões digitais de pessoas que não estão mais aqui. Imagine estudantes do futuro dialogando com cientistas, pensadores ou artistas da nossa época, aprendendo diretamente com o que eles deixaram registrado. Isso é o que chamamos de herança digital.”
A proposta é que, com a evolução das redes neurais, não apenas as informações sejam preservadas, mas também o modo de pensar, de falar e de interagir de uma pessoa, permitindo conversas realistas com figuras históricas.
Uma revolução criada no Brasil
Apesar de operar também na Espanha e na Inglaterra, a Framework Digital aposta fortemente no Brasil como berço dessa nova revolução tecnológica.
“Aqui existe uma grande oportunidade de liderar a criação de tecnologias em vez de apenas importar soluções de fora. Nosso foco é desenvolver inteligência artificial brasileira para o mundo”, ressaltou Giovanni.
Com a Vórtice.ai, a empresa pretende impulsionar pesquisas capazes de transformar a forma como nos relacionamos com a tecnologia e até mesmo com a memória de quem já não está presente. Se a previsão de Giovanni se confirmar, o futuro poderá nos permitir conversar com vozes do passado, preservando para sempre pensamentos que marcaram a humanidade.